Deficiente na Sociedade

Ademir Cardoso
Um exemplo claro da eficácia do projeto de encaminhamento do DV, realizado pela instituição, é o funcionário do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro, Ademir Cardoso.
Ele perdeu a visão aos 30 anos de idade, em 1982. Na época ele ainda não tinha terminado nem o 1º grau. 11 anos depois, em 1993, se formou em Direito na faculdade Vianna Júnior de Juiz de Fora.

Em nenhum momento Ademir pensou que não poderia vencer a deficiência. Encontrou o número da Associação dos Cegos na lista telefônica e, a partir daí, não parou mais de lutar por uma vida melhor.

Foi um dos primeiros deficientes a estudar em escola de ensino regular, ou seja, junto com os demais alunos. Em sala de aula, usava a máquina de escrever Braille e contava com os colegas de turma, que ditavam as matérias que os professores passavam no quadro.

Ademir conta que, quando pensou em fazer Direito, já pensava em prestar Concurso Público. Ao todo foram seis concursos. Em 1996 foi aprovado e, desde 1999 trabalha no TRE de Três Rios como Analista Judiciário. É sua função prestar todo suporte jurídico necessário, inclusive assessoria à juíza.

Para Ademir, a Informática tem papel essencial no desenvolvimento e na formação do cego, o que confirma a importância do Curso de Informática realizado pela Associação. Programas como o Dosvox, de tecnologia brasileira, e utilizado pela entidade, e o Jaws propiciam maior independência, uma vez que ambos “lêem” o conteúdo para o usuário.

Ao ser perguntado sobre a importância da Associação dos Cegos em sua vida, ele diz ser total, uma vez que não tinha condições financeiras para estudar. Casos como o do Dr. Ademir nos faz ter orgulho e a certeza de que realizamos um trabalho modificador de histórias.

Dicas Ao Encontrar Um Deficiente Visual

Muitas pessoas não deficientes ficam confusas quando encontram uma pessoa com deficiência. Isso é natural. Todos nós podemos nos sentir desconfortáveis diante do “diferente”.
Esse desconforto diminui e pode até mesmo desaparecer quando existem muitas oportunidades de convivência entre pessoas deficientes e não- deficientes.

Por isso, elaboramos algumas dicas para quando você encontrar com um deficiente visual.

Como pode ser conferido nos Departamentos mantidos pela Associação dos Cegos, os deficientes estão saindo de suas casas, seja para ir à escola, trabalhar, em um cursinho de inglês etc, e, mais cedo ou mais tarde, você pode se encontrar com eles.

  • Dessa forma, a melhor maneira é saber como lidar com o “outro” e descobrir o quão prazeroso e enriquecedor pode ser essa experiência.
  • Não faça de conta que a deficiência não existe. Se você se relacionar com uma pessoa deficiente como se ela não fosse, vai estar ignorando uma característica muito importante dela. Dessa forma, você não estará se relacionando com ela, mas com outra pessoa, uma que você inventou, que não é real.
  • Aceite a deficiência. Ela existe e você precisa levá-la na sua devida consideração. Não subestime as possibilidades, nem superestime as dificuldades.
  • As pessoas com deficiência tem o direito, podem e querem tomar suas próprias decisões e assumir a responsabilidade por suas escolhas.
  • Ter uma deficiência não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior do que uma pessoa não deficiente.
  • Provavelmente, por causa da deficiência, essa pessoa pode ter dificuldade para realizar algumas atividades e por outro lado, poderá ter extrema habilidades para fazer outras coisas .Exatamente como todo mundo.
  • A maioria das pessoas com deficiência não se importa de responder perguntas, principalmente aquelas feitas por crianças, a respeito de sua deficiência e como ela realiza algumas tarefas. Mas se você não tem muita intimidade com a pessoa, evite fazer perguntas muito íntimas.
  • Quando quiser alguma informação de uma pessoa deficiente, dirija-se diretamente a ela e não a seus acompanhantes ou intérpretes.
  • Sempre que quiser ajudar ofereça ajuda, e se sua oferta for aceita, pergunte antes a forma mais adequada para fazê-lo.
  • Mas não se ofenda se o seu oferecimento for recusado, pois nem sempre as pessoas com deficiência precisam de auxílio. Às vezes, uma determinada atividade pode ser mais bem desenvolvida sem assistência.
  • Se você não se sentir confortável ou seguro para fazer alguma coisa solicitada por uma pessoa deficiente, sinta-se livre para recusar. Neste caso, seria conveniente procurar outra pessoa que possa ajudar.
  • As pessoas com deficiência são pessoas como você. Têm os mesmos direitos, os mesmos sentimentos, os mesmos receios, os mesmos sonhos.
  • Você não deve ter receio de fazer ou dizer alguma coisa errada. Aja com naturalidade e tudo vai dar certo.
  • Se ocorrer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de delicadeza, sinceridade e bom humor nunca falham.
Helen Keller
A vida de Helen Adams Keller é impressionante! Cega e surda desde criança, ela lutou arduamente para se integrar na sociedade. Se tornou uma célebre escritora, filosofa e conferencista, reconhecida pelo seu trabalho incessante em prol do bem-estar das pessoas portadoras de deficiências.

 

Helen Keller nasceu em 27 de junho de 1880, em Tuscumbia (Alabama) e é descendente de uma tradicional família do Sul dos Estados Unidos – seu pai, Capitão Arthur Keller, foi Prefeito de Alabama do Norte em 1885.

Aos 18 meses de idade, ficou cega e surda subitamente, devido a uma doença que foi diagnosticada naquela época como febre cerebral. Provavelmente tenha sido escarlatina.

No dia 03 de março de 1887, quando Helen tinha sete anos de idade, a professora Anne Sullivan (de 21 anos) foi morar em sua casa, para ensiná-la, por indicação de Alexander Graham Bell.

Desde então, tornaram-se inseparáveis, até a morte da professora em 1936. Anne Sulivan havia estudado na Escola Perkins para Cegos (Perkins School for the Blind), porque, quando criança, era cega, tendo recuperado a visão através de nove operações.

Com muito carinho, dedicação e perseverança, a professora Anne Sullivan conseguiu ensinar à aluna os alfabetos braille e manual. Sob a orientação de Anne, Helen matriculou-se no Instituto Horace Mann para surdos, de Boston e, depois, na Escola Wright-Humason Oral, de Nova Yorque.

Aos 10 anos de idade, Helen aprendeu a falar, e disse: “Algum dia cursarei uma faculdade” – o que, de fato, ocorreu. Em 1904, recebeu seu diploma de bacharel em filosofia pela Universidade Radcliffe. Nessa universidade, inclusive, Helen chegou a receber o “Prêmio Destaque a Aluno” no qüinquagésimo aniversário da graduação, além de dominar os idiomas francês, latim e alemão.

Helen também recebeu diversos títulos e diplomas honorários das Universidades: Temple; de Harward; da Escócia (Glasgow); da Alemanha (Berlim); da Índia (Nova Delhi); e de Witwaterstrabd (Johannesburg, África do Sul).

Entre outros inúmeros prêmios de grande distinção que recebeu, estão sua nomeação como “Cavaleiro da Legião de Honra da França” (em junho de 1952), o prêmio “América para a União Inter-americana”, a “Medalha de ouro do Instituto Nacional de Ciências Sociais” e as condecorações: “Ordem do Cruzeiro do Sul” (no Brasil); “do Tesouro Sagrado” (no Japão); “do Coração de Ouro” (nas Filipinas); e “Medalha de Ouro de Mérito” (no Líbano).

Tornou-se, ainda, membro honorário de sociedades científicas e organizações filantrópicas dos cinco continentes.

Em 1902, estreou na literatura, escrevendo sua autobiografia “A História de Minha Vida”, e, em seguida, no Jornalismo, com uma série de artigos no Ladies Home Journal.

A partir daí, não parou mais de escrever: além de inúmeros artigos para revistas, escreveu vários livros, como “Otimismo – um ensaio”, “A Canção do Muro de Pedra”, “O Mundo em que vivo”, “Lutando Contra as Trevas”, “Minha Vida de Mulher”, “Paz no Crepúsculo”, “Dedicação de Uma Vida” e “A Porta Aberta”. Seus livros foram transcritos em várias línguas.

Em 7 de maio de 1954, seu local de nascimento (Ivy Green, em Tuscumbia) foi transformado em museu permanente. A cerimônia contou com a presença de diretores da American Foundation for the Blind e de diversas outras autoridades. Juntamente com esse acontecimento, realizou-se a première do filme biográfico de Helen Kellen,

Os Inconquistados – o qual, posteriormente, recebeu o título “Helen Keller e sua História” e, em 1955, conquistou o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas como o melhor documentário de longa metragem do ano.

Durante toda a sua vida, Helen Keller teve a amizade de personagens famosos de seu tempo, como Charlie Chaplin, Alexander Graham Bell, John F. Kennedy, Grover Cleveland e Katherine Corvell.

De 1924 até sua morte, foi membro staff da American Foundation for the Blind, onde pôde trabalhar pelo bem estar das pessoas cegas e surdo-cegas. Para isso, compareceu perante governos, deu conferências, escreveu artigos e, sobretudo, deixou seu exemplo pessoal do que uma pessoa severamente prejudicada pode alcançar.

Aliás, sua participação ativa no trabalho para os cegos começou em 1915, quando o Fundo Permanente de Ajuda aos Cegos de Guerra (posteriormente chamado Imprensa Braille Americana) foi fundado.

Ela foi membro da primeira junta de diretores. Quando a Imprensa Braille Americana transformou-se, em 1946, na American Foundation for Overseas Blind (hoje chamada Helen Keller Internacional Incorporated),

Helen Keller foi eleita conselheira em relações internacionais. Foi então que começou suas viagens pelo mundo, em benefício dos cegos – fato que a tornou bem conhecida em seus últimos anos de vida.

Durante sete viagens entre 1946 e 1957, ela visitou 35 países em cinco continentes. Em 1953, a convite oficial do governo brasileiro e da Fundação para o Livro do Cego no Brasil, veio ao país, onde realizou visitas e palestras no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Com isso, seu exemplo estimulou e impulsionou a educação e a reabilitação de cegos no Brasil, recebendo, da Legião Brasileira de Assistência, o título de Membro Honorário. 

Aliás, uma mesa redonda realizada com sua presença na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo deu origem à criação, no Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), de um Serviço de Orientação e Colocação Profissional de Cegos, que, hoje, já colocou nas indústrias de São Paulo grande número de deficientes da visão.

Um fato emocionante aconteceu quando, numa palestra para 550 pessoas no Hospital das Clínicas em São Paulo, alguém perguntou a ela: “O que você gostaria mais de ver, se Deus lhe desse visão por cinco minutos?” Helen Keller respondeu: “As flores, o pôr-do-sol e o rosto de uma criança”.

Hellen fez sua última aparição em público num encontro do Lions Club de Washington. Nesse evento, ela recebeu o “Prêmio Humanitário Lions” por sua vida dedicada em servir a humanidade e por inspirar a adoção de programas de ajuda aos cegos e conservação da visão.

Em 1961, recolheu-se para viver tranqüilamente em Arcan Ridg, onde recebia a família, amigos íntimos e membros da American Foundation for the Blind e da American Foundation for Overseas Blind (hoje Helen Keller International Incorporated).

Apesar de seu afastamento da vida pública, Helen não foi esquecida. Em 1964, recebeu a “Medalha Presidencial da Liberdade”, maior honra de seu país. Em 1965, foi uma das 20 eleitas para o “Hall da Fama Feminina” na Feira Mundial de Nova Yorque – na qual Hellen Keller e Eleanor Roosevelt receberam a maioria dos votos entre as 100 mulheres indicadas.

Hellen Keller faleceu em 1º de junho de 1968 em Arcan Ridge, algumas semanas antes de completar 88 anos. Suas cinzas foram depositadas ao lado das de Anne Sullivan Macy e Polly Thomson, na Capela de São José, na Catedral de Washington.

Durante a cerimônia, em que compareceram diversas autoridades do governo, pessoas proeminentes de todos os setores e delegações da maioria das organizações para cegos e surdos, o Senador Lister Hill do Alabama disse, a respeito de Helen Keller: “Ela viverá; ela foi um dos poucos nomes imortais, que não nasceu para morrer.

Seu espírito perdurará enquanto o homem puder ler e histórias puderem ser contadas sobre a mulher que mostrou ao mundo que não existem limitações para a coragem e a fé.” Por tudo isso, ela foi chamada, por seus amigos americanos, de “a primeira mulher de coragem do mundo”.

 

Algumas frases extraídas de suas obras são:

– “Não há melhor maneira de agradecer a Deus pela visão, do que dar ajuda a alguém que não a possui”;

– “Se metade do dinheiro hoje gasto em curar cegueira fosse utilizado em preveni-la, a sociedade ganharia em termos de economia, sem mencionar considerações de felicidade para a humanidade”;

– “Que toda criança cega tenha oportunidade de receber educação, e todo adulto cego, uma oportunidade para treinamento e trabalho útil”;

– “Quando uma porta de felicidade fecha-se, uma outra se abre; mas, muitas vezes, nós olhamos tão demoradamente para a porta fechada que não podemos ver aquela que se abriu diante de nós. É maravilhoso ter ouvidos e olhos na alma. Isto completa a glória de viver”;

– “Atraímos sobre nós sofrimentos desnecessários quando exageramos a extensão da nossa dor”;

– “Não peçamos tarefas iguais às nossas forças, mas forças iguais às nossas tarefas”;

– “Muitos olham para dentro de si e nada encontram e disto concluem que também fora deles nada existe”;

– “Não há barreiras que o ser humano não possa transpor”.  

Fonte de consulta: Hellen Keller 1880 – 1968 (Publicação comemorativa do centenário de nascimento de Helen Keller, editada pela Fundação para o Livro do Cego no Brasil, São Paulo-1980).
Louis Braille
Educador francês, inventor do alfabeto que tem seu nome, Braille nasceu em Coupvray, perto de Paris, em 04/01/1809. Filho mais novo de uma família de quatro irmãos, perdeu a visão esquerda em 1812, quando um objeto pontiagudo atingiu-lhe a vista. Mais tarde, a infecção instalada afetou-lhe o olho direito.
Com cinco anos de idade, Louis Braille estava totalmente cego. Com uma bolsa de estudos conseguiu estudar em Paris, no Instituto Nacional para Jovens Cegos. Passou a lecionar a partir de 1826.
O fundador da escola, Valentin Haüy, observara que os cegos eram capazes de acompanhar com os dedos letras vulgares, romanas, em relevo. Conseguiu produzir tais textos e ensinou crianças cegas a ler. O sistema de Haüy permitia a leitura, mas não a escrita.

 

Braille se interessou por um sistema de escrita inventado pelo capitão Charles Barbier de la Serre, capitão do exército de Luís XIII, que elaborou um sistema de sinais em relevo (pontos e traços) para transmitir ordens militares durante a noite.

Seu sistema foi denominado “Escrita Noturna”. Barbier transformou o sistema para o uso dos cegos e o denominou “Grafia Sonora”. As palavras não podiam ser soletradas e um grande número de sinais era usado para representar uma única palavra, o que tornava a decifração longa e difícil. Seu sistema foi aceito na Instituição como método auxiliar de ensino.

Braille percebeu as dificuldades do sistema e começou a pensar em possíveis modificações. Trabalhou em um novo sistema, que pudesse eliminar completamente os problemas da “Grafia Sonora”. Assim, em 1824, Louis Braille tinha elaborado seu novo método de escrita e leitura para cegos.

Aos 15 anos de idade, tinha montado o alfabeto Braille semelhante ao que se usa hoje; obtendo 63 combinações que representavam todas as letras do alfabeto, acentuação, pontuação e sinais matemáticos.

Instituição e logo assimilado pelos alunos. Substitui-se, então, o sistema de Barbier pelo de Braille, que tornou o tato o substituto da visão na leitura. Por ele, os alunos eram capazes de somar notas em classe; aprender ortografia; redigir composições; copiar livros; fazer ditados; corresponderem entre si; registrar sentimentos e impressões.

Ainda estudante, Braille começou a ensinar álgebra, gramática e geografia. Aplicou seu sistema à notação musical, estudou órgão e deu aula de piano no Colégio de França. Tornou-se um excelente pianista e mais tarde em talentoso organista da de Notre Dame des Champs.

Braille contraiu tuberculose aos 26 anos de idade e em 1850 pediu demissão do cargo de professor por causa da fragilidade de sua saúde. Continuou, no entanto, dando algumas lições de piano e faleceu em 06 de janeiro de 1852 em Paris, França.

Em 1887 ganhou de sua pátria um monumento, por ter sido dos grandes benfeitores da humanidade. Hoje os deficientes visuais aprendem esta escrita em todo o mundo, inclusive na “ASSOCIAÇÃO DOS CEGOS EM JUIZ DE FORA”.

 

Trocando em miúdos

  • NOS IMPREVISTOS, SEJA DISCRETO – Às vezes, a pessoa cega não percebe manchas, rasgos ou qualquer desalinho em suas roupas ou sapatos. Não se constranja em adverti-la, quanto a qualquer incorreção em seu vestuário. Não permita, que esses incidentes provoquem comentários sobre sua pessoa. Fique certo de que ela agradecerá seu gesto.

  • CLIENTES CINCO ESTRELAS – Se você trabalha com o público e tiver a oportunidade de atender a uma pessoa deficiente visual, fique atento às suas necessidades particulares. Provavelmente ela precisará, que você descreva a mercadoria e os preços para ela. Com o mínimo de bom senso, você fará tudo adequadamente e conquistará fregueses assíduos.
  • “DO PRATO A BOCA, SEMPRE SE PERDE A SOPA” – Não pense que a pessoa cega seja tão dependente a ponto de precisar que você lhe dê de comer, ou que tenha que ser orientada para encontrar a comida no prato. Ela pode falhar algumas vezes, mas se arranjará sozinha. Fique certo de que ela lhe agradecerá, se você descrever os alimentos servidos ou fizer o prato para ela.
  • CEGUEIRA NÃO É O FIM DO MUNDO – Procure não encarar a cegueira como desgraça, nem pensar que a pessoa cega seja inútil e incapaz. Saiba que a educação especial e a reabilitação possibilitam a superação de muitas de suas dificuldades. Não sinta pena dela. Ela não necessita de piedade, mas, sim, de oportunidades.
  • CEGUEIRA NÃO PEGA – Algumas pessoas hesitam em tocar o cego, com medo de serem contagiadas pela “doença”. A cegueira é uma deficiência sensorial, não é uma enfermidade. E deficiência não passa de uma pessoa para outra. Você já viu alguém “pegar” surdez?
  • NÃO FAÇA AOS OUTROS O QUE NÃO GOSTARIA QUE FIZESSEM COM VOCÊ – Não chame nem se refira às pessoas cegas, salientando sua deficiência física. Chamar um deficiente visual de “cego” ou “ceguinho” é de extrema indelicadeza e, ainda que a pessoa não o demonstre, sentir-se-á magoado. Ninguém gosta de ser rotulado e classificado. Você gostaria de ser chamado por seu defeito mais aparente?
  • OS CEGOS NÃO SÃO SURDOS – Se a pessoa cega, estiver acompanhada, não se dirija ao seu companheiro quando quiser falar com ela. Dirija-se diretamente a ela, identifique-se e faça um contato físico, toque ligeiramente seu braço ou seu ombro, para que ela saiba que é com ela que está falando. O fato de ela não retribuir seu olhar, não significa que ela não possa manter uma conversação normal.
  • NÃO EXISTEM PALAVRAS “TABU” – Algumas pessoas não se atrevem a pronunciar palavras como “ver”, “olhar”, “cego” ou “cegueira”. Você não precisa modificar sua linguagem para evitar dizer estas palavras e substituí-las por: “ouvir”, “problema”, etc. Para a pessoa cega, a palavra “ver” significa perceber, tocar, tatear, apalpar, sentir. Conversando com quem não vê, use a palavra “cego”, sem problemas. Não diga: “Meu avô também tinha isso”, mas, sim, “meu avô também era cego”.
  • OS CEGOS NÃO SÃO SERES “PUROS” – Nem pense também que os deficientes visuais sejam criaturas diferentes “puras”, desprovidas de qualquer interesse mundano, que só se ocupam das “coisas do espírito”. Fique certo de que eles se interessam também por tudo o que interessa a você, com a mesma intensidade, só que usufruem as coisas de um modo particular.
  • NÃO FALE COM AS MÃOS – Não gesticule, indicando direções com o dedo: ali, lá, etc. Estas orientações não tem nenhuma utilidade para os cegos. Diga por exemplo: “o cinzeiro está à sua frente, ao alcance da mão”, ou “a entrada do ônibus está a mais ou menos quinze metros à sua direita”. Preste atenção ao indicar direções: tome como referência a posição deles e não a sua!
  • TINTIM POR TINTIM – Em ambientes desconhecidos ou em situações novas e inusitadas, ofereça ao deficiente visual, o maior número possível de informações, para que ele se localiza e se oriente, sabendo exatamente o que está acontecendo. Não permita que ele passe momentos de tensão e desconforto, se você pode evitar isso.

A pessoa cega no processo histórico

Em grande parte das sociedades primitivas não havia cegos, pois os enfermos e as pessoas com deficiência eram mortos ou abandonados. O assassinato das crianças que nasciam cegas e o abandono dos que haviam perdido a visão na idade adulta eram procedimentos freqüentes.

 

A eliminação dos cegos e dos considerados inválidos não se dava somente pelas difíceis condições de vida da época. Nas sociedades primitivas, acreditava-se que as pessoas cegas eram possuídas por espíritos malignos e manter uma relação com essas pessoas significava manter uma relação com um espírito mau.

O cego então, convertia-se em objeto de temor religioso. Alguns ainda consideravam a cegueira como um castigo infligido pelos deuses e a pessoa cega levava em si mesma o estigma do pecado cometido por ele, por seus pais, seus avós ou por algum membro da tribo.

Algumas tribos nômades abandonavam seus doentes, velhos e pessoas com deficiências em lugares inóspitos, expostos a riscos de um confronto com animais ferozes e/ou com tribos inimigas.

Quanto aos povos hebreus, o homem de qualquer família, fosse este coxo, cego, corcunda, ou tivesse um pé ou mão quebrada, era considerado indigno. Acreditavam assim, que essa pessoa era detentora também, de poderes oriundos dos demônios, cujas impurezas e pecados expressavam-se pelas “marcas”, sinais corporais que cristalizavam a evidência de maus espíritos.

Na Antiguidade, de um modo geral, existiam dois tipos de tratamentos atribuídos às pessoas que, por alguma razão, se afastavam dos padrões desejados, aceitos e ditos normais, tais como velhos, doentes e as pessoas com deficiências – que, quando não correspondiam às exigências do meio, eram tratadas ou com tolerância e apoio, ou com menosprezo e eliminação.

Em Atenas, na Grécia Antiga, os recém-nascidos com alguma deficiência eram colocados em uma vasilha de argila e abandonados. Já em Esparta, onde o cidadão pertencia ao

Estado e os pais tinham o dever de apresentar seus filhos aos magistrados em praça pública, as crianças com deficiência eram consideradas subumanas, o que legitimava sua eliminação ou abandono, atitudes perfeitamente coerentes com os ideais atléticos e clássicos que serviam de base à organização sociocultural dos espartanos. Em Roma, o procedimento mais comum também era a eliminação.

Durante a Idade Média, a cegueira foi utilizada como castigo ou como ato de vingança. No século XI, Basílio II, imperador de Constantinopla, depois de ter vencido os búlgaros em Belasitza, ordenou que fossem retirados os olhos de quinze mil prisioneiros e fê -los regressar para sua pátria. Porém, um em cada cem homens teve um olho conservado para que pudesse servir de guia aos outros noventa e nove.

Ainda nesse período, a cegueira apresentava-se também como pena judicial regulada pela lei ou pelos costumes, e era aplicada como castigo para crimes nos quais havia participação dos olhos, tais como crimes contra a divindade e faltas graves às leis de matrimônio.

Em 1920 Luís XIII fundou, em Paris, o asilo de Quinze-Vingts, a instituição mais importante da Idade Média destinada exclusivamente para cegos com o objetivo de atender trezentos soldados franceses que tiveram seus olhos arrancados pelos sarracenos durante as

Cruzadas, mas que ofereceu atendimento também a outros cegos franceses. No entanto, segundo Dall`Acqua (1997), ao contrário do que a literatura aponta, o referido asilo foi criado com o objetivo de retirar os cegos franceses que viviam como mendigos pelas ruas de Paris, e não para abrigar os soldados franceses que ficaram cegos durante as Cruzadas.

Com o fortalecimento do Cristianismo, a situação das pessoas com deficiências modificou. A pessoa humana elevou-se à categoria de valor absoluto e todos os homens, sem exceção, passaram a ser considerados filhos de Deus.

O Evangelho dignificava o cego e deste modo a cegueira deixa de ser um estigma de culpa, de indignidade e transforma-se num meio de ganhar o céu, tanto para a pessoa cega quanto para o homem que tem piedade dessa pessoa.

A pessoa com deficiência, agora com o status de ser humano, criatura de Deus, para efeito de sobrevivência e manutenção de saúde, tem significado teológico paradoxal. Deste modo, atitudes contraditórias desenvolveram-se em relação a ela: esta pessoa era uma eleita de Deus ou uma espécie de expiadora de culpas alheias?

Era uma aplacadora da cólera divina a receber, em lugar da aldeia, a vingança celeste, como um pára-raios? Tinha uma alma, mas não tinha virtudes – como podia ser salva do inferno? Ela era mesmo uma cristã?

Segundo Pessoti (1984), a solução do clero para estas indagações sobre a pessoa com deficiência consistia em duas atitudes. A primeira, referia-se à atenuação do castigo, transformando-o em confinamento, de tal modo que segregá-las era exercer a caridade, pois o asilo garantia um teto e alimentação; no entanto, enquanto o teto protegia o cristão com deficiência, as paredes escondiam e isolavam o incômodo ou o inútil.

A segunda atitude constituía-se na caridade como castigo, pois era o meio de salvar a alma do cristão das garras do demônio e livrar a sociedade das condutas indecorosas ou anti-sociais da pessoa com deficiência. No entanto, mesmo com essa “nova” mentalidade, a Inquisição sacrificou como hereges ou endemoniados, milhares de pessoas, entre elas, pessoas com deficiência.

O estado de desatenção e menosprezo a que pessoas cegas e todas as outras pessoas com deficiência foram submetidas começou a se modificar com o advento do mercantilismo e do capitalismo comercial no lugar do feudalismo.

O período renascentista representou um marco, um revisar dos preconceitos, normas, estatutos, crenças e práticas sociais no que diz respeito ao modo de se relacionar com a pessoa com deficiência que, até então, era explicada como obra do demônio e/ou do divino.

Na passagem de uma visão supersticiosa para visão organicista, como ocorreu principalmente a partir do século XVIII, o entendimento a respeito da deficiência visual tornou-se mais aprofundado. De acordo com Sanchez (1992), surgiram neste período, os primeiros conhecimentos anátomo-fisiológicos importantes para o posterior desenvolvimento de uma compreensão cientifica sobre o funcionamento do olho e do cérebro, com suas respectivas estruturas.

Em séculos anteriores, já tinham sido colocadas em práticas algumas tentativas de educar crianças com deficiências por meio de estratégias diferenciadas. Mas, os avanços do conhecimento, especialmente da área médica, propiciaram o início de atendimentos mais específicos voltados às pessoas com deficiências. Essas atividades foram esparsas, no entanto, se restringido às deficiências sensoriais.

Os séculos XVIII e XIX marcaram uma mudança e um avanço na história das pessoas com deficiência visual. Em 1784, Valentim Hauy inaugurou na França, O Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris, a primeira escola do mundo destinada à educação de pessoas cegas e em 1829, Louis Braille, então aluno desse instituto, inventou o Sistema Braille.

No final do século XVIII e início do século XIX foram fundadas escolas para pessoas cegas em outros países da Europa, como Alemanha e Grã-Bretanha, baseadas no modelo do Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris (Silva, 1986).

Em 1829 foi instalado nas Américas, o primeiro instituto para cegos, o “New England Asylum for the Blind” – atualmente denominado como “Perkins Institute for the Blind” – em Massachusetts, nos Estados Unidos e em 1832 foi fundado o “New York Institute Education for the Blind”.

Em 1837, foi inaugurada a “Ohio School for the Blind”, a primeira escola para cegos inteiramente subsidiada pelo governo americano. De acordo com Mazzotta (1996), a fundação desse instituto foi muito importante, pois despertou a sociedade americana para uma reflexão em relação à obrigação do Estado para com a educação das pessoas com deficiência.

No final do século XIX, no ano de 1878, foi realizado em Paris um Congresso Internacional com a presença de onze países europeus e os Estados Unidos. Foi estabelecido que o Sistema Braille deveria ser adotado de forma padronizada como método universal de ensino para pessoas cegas, exatamente de acordo com a estrutura do sistema apresentado por Louis Braille em 1837.

No início do século XX, a escola segregada havia se expandido e se consolidado como modelo de atendimento à pessoa cega, mas foi somente na segunda Guerra Mundial e com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que se passou a pensar na possibilidade de atendimento à pessoa cega na escola regular.

Segundo Santos (1995), o movimento de integração na Europa surgiu com decorrência histórica de três fatores: das duas guerras mundiais, do fortalecimento do movimento pelos direitos humanos e do avanço cientifico – era o início da era da integração.

Em virtude dos mutilados de guerra, foi necessário criar programas sociais para reintegrar essas pessoas à sociedade. Aliado a este aspecto, as organizações dos direitos humanos passaram a se preocupar em garantir que essas pessoas, depois de reabilitadas, pudessem de fato ser reintegradas socialmente (Silva, 1986; Rocha, 1987; Santos, 1995).

A partir dos anos de 1960, a demanda em relação aos deficientes, segundo Santos (1995,p.22): “se dará no sentido de integrá-los com base em seus direitos enquanto seres humanos e indivíduos nascidos em dada sociedade”.

O princípio filosófico /ideológico que norteou a definição e as práticas de integração foi o da normalização, que visa oferecer às pessoas com necessidades especiais condições de vida diária semelhantes de um modo geral.

No final da década de 1960 e durante a década de 1970, estruturaram-se leis e programas de atendimento educacional que favoreceram a integração da pessoa cega na escola regular e no mercado de trabalho.

A integração no período citado baseava-se principalmente no modelo médico de deficiência, que tinha como objetivo a adaptação da pessoa com deficiência às exigências ou necessidades da sociedade como um todo.

De acordo com Santos (1995 p.24), “até os anos 80 a integração desenvolveu-se dentro de um contexto histórico em que pesaram questões como igualdade e direito de oportunidades”.

Durante a década de oitenta, consolidou-se a integração da pessoa cega. Em 1981 a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Ano e a Década da Pessoa Portadora de Deficiência, abrindo espaço nos meios de comunicação para uma maior conscientização da sociedade.

A partir da década de 1990, com a realização da Conferência Mundial de Educação para Todos (1990) e com a Declaração de Salamanca de Princípios, Política e Prática para as Necessidades Educativas Especiais (1994), passou a vigorar a “era da inclusão” em que as exigências não se referem apenas ao direito da pessoa com deficiência à integração social, mas sim, ao dever da sociedade como um todo, de se adaptar às diferenças individuais.

De acordo com Sassaki (1998, p.09), “a sociedade inclusiva começou a ser construída a partir de algumas experiências de inserção social de pessoas com deficiências, ainda na década de oitenta”.

Ainda segundo o referido autor (1997) “A inclusão social, portanto, é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade através de transformações, pequenas e grandes, nos ambientes físicos e na mentalidade de todas as pessoas, portanto também do próprio portador de necessidades especiais” (p.42).

Acredita-se que o processo de integração que busca normalizar a pessoa com deficiência e atribuir-lhe a responsabilidade de adequação ao meio social, não propõe, conforme constata Mantoan (1998), nenhuma mudança na estrutura social vigente, cabendo ao indivíduo a responsabilidade de se “adequar” ao sistema. Entretanto, as práticas integracionistas demonstraram que as pessoas com deficiências não precisam e nem devem ser excluídas socialmente.

Não obstante, o processo de inclusão vai muito além da inserção dos alunos na escola, exigindo uma mudança na estrutura social vigente no sentido de se organizar uma sociedade que atenda aos interesses de todas as pessoas, indiscriminadamente.

Sabe-se que vivemos em uma sociedade em que vigora a exclusão social e, neste aspecto, as práticas integracionistas favorecem a manutenção desse sistema quando propõem que cabe à pessoa adaptar-se à estrutura social vigente.
Já o processo de inclusão denuncia as desigualdades e o desrespeito às minorias, reivindicando não só mudança de estruturas físicas, mas também de concepções, pensamento e planejamento da sociedade, procurando uma nova forma de organização social em que as diferenças individuais sejam respeitadas e não menosprezadas.

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Associação Dos Cegos Em Juiz De Fora

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